Storydoing
A história levada à ação no marketing
O storydoing é uma estratégia de marketing que leva a arte de contar histórias (storytelling) um passo além, transformando essas narrativas em experiências reais que o público pode viver em primeira pessoa.
Em vez de se limitar a contar uma história, como faz o storytelling tradicional, o storydoing propõe atuá-la: a marca “prega com o exemplo” e torna tangível sua mensagem por meio de ações concretas.
Dessa forma, o consumidor deixa de ser um espectador passivo para se tornar protagonista ativo da história da marca.
Em poucas palavras, trata-se de “passar das palavras à ação”, fazendo com que o público viva a história em vez de apenas ouvi-la.
· O que é o storydoing?
O storydoing pode ser definido como uma estratégia de marketing focada em criar experiências vinculadas à história e aos valores da marca, envolvendo ativamente o público.
Diferentemente do storytelling —que consiste em narrar histórias persuasivas para comunicar os valores da marca—, o storydoing materializa esses valores no mundo real por meio de ações e experiências significativas.
O objetivo é gerar uma conexão emocional mais profunda ao fazer com que as pessoas participem da história da marca na própria pele.
Na prática, isso implica que a empresa desenha iniciativas, eventos ou atividades em que sua mensagem ganha vida.
“As ações falam mais alto que as palavras” resume muito bem essa abordagem.
Por exemplo, se uma vinícola quiser aplicar storydoing, não vai ficar apenas em anúncios que contem o quão especial é o seu vinho, mas poderia organizar visitas imersivas às suas vinhas para que as pessoas vejam, sintam o aroma e provem o processo de elaboração do vinho por si mesmas.
Assim, os consumidores associam a marca a uma experiência real e memorável, não apenas a uma história contada de forma tradicional.
Em resumo, o storydoing humaniza a relação entre a marca e seus consumidores ao convidá-los a fazer parte ativa do seu universo.
Já não se trata apenas de transmitir uma mensagem, mas de criar vivências que reflitam a identidade da marca.
Dessa maneira, o público se conecta com a marca de forma mais autêntica e sente em primeira pessoa aquilo que a empresa quer comunicar.

· Diferenças entre storytelling e storydoing
Embora storytelling e storydoing compartilhem o propósito de conectar emocionalmente com o público por meio de narrativas de marca, suas abordagens diferem significativamente.
A seguir, destacamos suas principais diferenças:
> De narrador a protagonista:
No storytelling, a marca conta uma história ao público; no storydoing, a marca faz com que o público faça parte da história.
Ou seja, o storytelling comunica valores por meio de relatos, enquanto o storydoing cria experiências em que esses valores são colocados em prática e o consumidor participa ativamente.
> Unidirecional vs. participativo:
O storytelling costuma ser um processo mais unidirecional – a empresa transmite uma mensagem e o público a recebe.
Já o storydoing busca a participação do consumidor, incentivando que ele interaja, colabore ou gere conteúdo em torno da experiência.
A comunicação deixa de ser um monólogo da marca para se tornar um diálogo com o público.
> Intangível vs. tangível:
As histórias do storytelling podem emocionar, mas permanecem no terreno do narrativo ou simbólico.
Já o storydoing oferece ações tangíveis que demonstram os valores da marca. A ideia é tornar real a promessa da marca: não apenas dizer “o que somos”, mas mostrá-lo com fatos.
Isso costuma implicar algum evento, produto ou iniciativa concreta que incorpore a mensagem central.
> Impacto momentâneo vs. duradouro:
Uma boa história pode ficar na memória, mas uma experiência vivida deixa uma marca mais profunda e duradoura.
Ao envolver os sentidos e as emoções de forma direta, o storydoing tende a gerar uma lembrança de marca mais sólida ao longo do tempo.
Quando um consumidor participa de algo extraordinário relacionado à marca, é mais provável que se lembre disso e conte a história anos depois, reforçando o vínculo emocional.
Vale mencionar que storytelling e storydoing não são excludentes, mas complementares.
Na verdade, para que o storydoing funcione, costuma ser necessária uma base de storytelling: é preciso ter uma boa história ou propósito que sirva de guia para as ações.
Se a marca não tiver um relato sólido que defina seus valores, as ações ficarão sem sentido.
Como costuma se dizer, não pode haver storydoing eficaz sem um bom storytelling prévio.
Em outras palavras, primeiro é preciso saber que história você quer contar, para depois buscar a forma de trazê-la para a vida real.
Muitas campanhas combinam as duas abordagens: usam o storytelling para dar contexto e significado, e o storydoing para materializá-lo e amplificar seu efeito.

· Benefícios do storydoing para sua marca
Implementar o storydoing em uma estratégia de marketing pode trazer inúmeros benefícios.
As vantagens de fazer com que o público viva as histórias da marca em vez de apenas ouvi-las são muito claras. A seguir, revisamos as mais relevantes:
> Maior envolvimento e engagement:
Ao tornar os consumidores participantes, o storydoing conquista um público muito mais envolvido.
As pessoas que vivem uma experiência de marca tendem a interagir mais e a sentir um vínculo mais forte, o que estimula a lembrança da marca e de sua mensagem.
Em essência, deixa de existir um público passivo, todos se tornam atores da história.
Essa participação ativa costuma se traduzir em maiores índices de engagement e conexão emocional.
> Criação de comunidade e embaixadores de marca:
Quando a experiência é positiva, os participantes costumam compartilhar sua vivência com outras pessoas e geram conversas orgânicas.
Isso favorece o boca a boca e a criação de uma comunidade leal em torno da marca.
Os consumidores satisfeitos se tornam embaixadores espontâneos da marca, que a recomendam e a defendem.
Diferentemente dos influenciadores contratados, esses embaixadores nascem de uma afinidade genuína e costumam ser mais fiéis a longo prazo.
> Reputação e credibilidade reforçadas:
Uma marca que cumpre o que prega ganha credibilidade.
O storydoing mostra ao público que a empresa realmente pratica seus valores em vez de apenas proclamá-los em publicidade.
Essa coerência entre o discurso e os fatos melhora a reputação da marca e gera confiança.
Além disso, quando são os próprios usuários que compartilham conteúdo e opiniões sobre a experiência (por exemplo, publicando fotos ou avaliações do que viveram), essa validação externa acrescenta ainda mais credibilidade diante de futuros clientes
> Diferenciação competitiva:
Em mercados saturados de mensagens publicitárias, oferecer uma experiência única é um fator de diferenciação poderoso.
O storydoing ajuda a se destacar da concorrência porque a marca deixa de “vender um produto” para oferecer algo mais (uma lembrança, uma vivência, uma emoção) que outros não estão oferecendo.
Isso contribui para um posicionamento mais positivo na mente do consumidor: a marca se associa a inovação, autenticidade e proximidade, atributos muito valorizados atualmente.
As experiências memoráveis costumam ser compartilhadas massivamente em redes sociais e conversas pessoais.
Por isso, as campanhas de storydoing tendem a conseguir mais menções na mídia e nas redes sem investimento adicional.
Um evento impactante pode se tornar viral, alcançando um público muito maior do que o previsto inicialmente.
De certa forma, os próprios usuários atuam como porta-vozes da campanha, o que equivale a publicidade gratuita para a marca.
Isso também pode implicar aparições na imprensa ou em blogs, caso a ação seja suficientemente chamativa ou inovadora.
> Melhor fidelidade e vínculo emocional:
Viver algo junto a uma marca gera um sentimento de pertencimento.
O público sente a marca mais próxima e parte de sua vida, o que fortalece a lealdade.
Clientes que tiveram experiências significativas estão mais dispostos a repetir a interação com a empresa, permanecem fiéis e perdoam mais facilmente alguma falha, porque existe uma relação mais próxima e emocional com a marca.
A longo prazo, isso pode se traduzir em um aumento do valor de vida do cliente e em uma base de clientes sólida que sustenta a marca.
> Retorno sobre o investimento mais eficiente:
Embora organizar experiências possa implicar um investimento inicial, muitas vezes o custo de divulgação é menor do que em campanhas tradicionais.
Como já mencionamos, ao gerar notoriedade orgânica e conteúdo compartilhado pelos usuários, a empresa pode economizar em publicidade paga.
Os próprios participantes e a mídia multiplicam o alcance da campanha.
Portanto, o ROI (retorno sobre o investimento) tende a melhorar: investe-se em criar a experiência, mas se gasta menos em “empurrar” a mensagem, já que ela se propaga sozinha.
> Humanização da marca:
O storydoing faz com que a marca seja percebida como mais humana e próxima.
As campanhas deixam de ser anúncios intrusivos para se tornarem relatos vivenciais que falam de valores e benefícios de forma não teórica, mas experiencial.
O público não se incomoda em participar porque não sente que estão vendendo algo diretamente a ele, mas sim que está compartilhando algo com a marca.
Isso melhora a imagem da empresa, que passa de mero ente comercial a facilitador de experiências.
Em conjunto, essas vantagens explicam por que muitas empresas estão adotando o storydoing como parte de sua estratégia.
Os consumidores de hoje “já não querem ver anúncios, buscam realidade e vivência”, e essa metodologia responde justamente a essa expectativa.

· Desafios e possíveis desvantagens do storydoing
Embora o storydoing traga inúmeros benefícios, também apresenta alguns desafios e considerações importantes a se ter em conta:
> Exige esforço criativo e logístico:
Colocar em prática experiências de marca não é tão simples quanto criar um anúncio para redes sociais.
Implica planejar eventos ou ações que podem exigir logística, coordenação com terceiros, autorizações, etc.
A criatividade desempenha um papel crucial para idealizar algo relevante e atraente; nem todas as empresas contam internamente com equipes criativas ou recursos para isso.
Em resumo, executar storydoing envolve mais trabalho e, às vezes, um investimento de tempo e dinheiro maior do que uma campanha tradicional (embora depois o retorno compense).
> Não é imediato nem 100% previsível:
Os resultados do storydoing costumam aparecer mais a médio ou longo prazo.
Construir uma comunidade leal ou mudar a percepção da marca por meio de experiências leva tempo; não espere um pico de vendas no dia seguinte ao seu evento (embora isso possa acontecer se a ação for muito bem-sucedida).
Além disso, por depender da reação do público (que compartilhem, que se envolvam), sempre há uma margem de incerteza.
Uma campanha de storydoing pode não se tornar viral ou não gerar o engagement esperado se não conectar bem com o público.
Na publicidade tradicional, a marca controla mais a mensagem; aqui, o controle é compartilhado com o público, para o bem e para o mal.
> Precisa ser autêntico ou pode se voltar contra a marca:
Talvez o ponto mais crítico seja a coerência e a autenticidade.
Para que funcione, o storydoing deve se basear em valores reais da marca e em uma história crível.
Se a empresa realizar uma ação que o público perceba como forçada, falsa ou meramente oportunista, a reação pode ser negativa.
As redes sociais amplificam tanto o bom quanto o ruim: assim como podem viralizar um sucesso, também podem expor uma inconsistência.
Por exemplo, uma marca que fale de sustentabilidade, mas cuja experiência demonstre o contrário, será acusada de incoerência ou postureio.
Ser crível é indispensável; caso contrário, a história vai fracassar e a reputação pode ser prejudicada.
> Nem todas as marcas conseguem aplicá-lo facilmente:
O storydoing costuma ser mais natural para certos tipos de negócio.
Empresas de produtos de consumo ou de estilo de vida, com comunidades de entusiastas (esportes, música, moda, gastronomia, turismo, etc.), têm mais oportunidades de criar eventos ou desafios em que as pessoas queiram participar.
Já marcas de setores muito técnicos ou B2B podem achar mais difícil desenhar experiências atraentes para o consumidor final.
Isso não significa que seja impossível, mas sim que é preciso adaptar a escala e o tipo de experiência conforme o contexto da marca.
Além disso, se for uma empresa nova sem público constituído, talvez seja necessário primeiro construir notoriedade via storytelling antes de partir para grandes ações de storydoing.
> Risco operacional e de mensagem:
Organizar experiências com pessoas reais implica certa perda de controle: sempre existe o risco de algo não sair perfeito (um evento com mau tempo, baixa participação, contratempos na execução) ou de a mensagem ser mal interpretada.
É preciso planejar muito bem para minimizar esses riscos, ter planos alternativos e garantir que a ação comunique efetivamente o que se pretendia.
Além disso, é recomendável medir os resultados (pesquisas de satisfação, monitoramento nas redes, impacto nas vendas ou em métricas de marca) para avaliar se a iniciativa cumpriu seus objetivos ou o que melhorar.
Em suma, o storydoing não é uma varinha mágica que deva ser usada de forma leviana.
Precisa fazer parte de uma estratégia bem pensada, alinhada com a identidade da marca e com os recursos disponíveis.
Se for feito corretamente, as recompensas são altas, mas se for feito sem cuidado, pode se tornar um gasto inútil ou, pior, um tropeço para a imagem da empresa.
A chave é planejar, conhecer o público e manter a autenticidade em todos os momentos.

· Como implementar uma estratégia de storydoing?
Se você se pergunta como levar o storydoing à prática, aqui propomos uma estrutura passo a passo para implementá-lo com sucesso na sua estratégia de marketing.
Estes passos vão ajudar você a desenhar uma campanha de storydoing coerente e eficaz:
> Defina a história e os valores da sua marca
Tudo começa por ter claro o que você quer contar.
Identifique a história central da sua marca: seu propósito, seus valores fundamentais e a mensagem-chave que você deseja transmitir.
Pergunte-se: o que quero comunicar sobre meu produto, serviço ou marca?
Essa resposta será a base narrativa sobre a qual você construirá a experiência.
Por exemplo, talvez sua mensagem seja “nossos produtos inspiram criatividade” ou “queremos empoderar as pessoas a viver de forma mais saudável”.
Certifique-se de que seja uma mensagem autêntica e relevante para a sua identidade corporativa.
Nesta etapa, você também deve definir o que quer alcançar com a campanha (melhorar a notoriedade, fidelizar clientes, lançar um produto, etc.) e o que quer que o público sinta ou faça depois de viver a experiência.
Ter claros o objetivo, a mensagem e os valores dará a você uma bússola para as próximas fases.
> Conheça o seu público e contexto
O próximo passo é entender a quem você vai oferecer a experiência.
Analise e conheça seu público-alvo em profundidade.
Quais são seus interesses, motivações e aspirações? Que tipo de experiências eles valorizariam ou aproveitariam?
Criar uma ou várias buyer personas (perfis semifictícios dos seus clientes ideais) pode ser útil para dar um rosto a esse público e desenhar algo de acordo com seus gostos.
Também investigue o que o público pensa atualmente da sua marca e como ela está posicionada.
Perguntas como “Que valores se associam hoje à minha marca?” ou “O que as pessoas esperam de nós?” vão dar pistas para você direcionar a ação de forma autêntica.
Não se esqueça de analisar o contexto e as tendências: eventos culturais relevantes, movimentos sociais ou até mesmo épocas do ano que possam influenciar a recepção da sua história.
Quanto mais alinhada a experiência estiver com a realidade e os interesses do seu público, mais impacto ela terá.
> Desenhe uma experiência significativa
Com a história definida e o público em mente, é hora de dar rédea solta à criatividade e planejar a experiência de storydoing em si.
Pense em que tipo de ação poderia dar forma à sua mensagem de maneira memorável.
Aqui as possibilidades são amplas: eventos ao vivo, desafios para os usuários, instalações interativas, ações solidárias, concursos criativos, demonstrações surpreendentes, etc.
O importante é que a atividade reflita os valores da marca de maneira clara e atraente.
Por exemplo, se o valor a transmitir for a aventura, uma marca poderia organizar uma competição radical ou uma experiência ao ar livre; se o valor for a solidariedade, talvez uma campanha em que os clientes participem de um voluntariado promovido pela empresa.
Certifique-se de que a experiência tenha um elemento de novidade ou surpresa (fator WOW) para gerar entusiasmo, mas sem perder a coerência com a marca.
Também planeje os detalhes práticos: local, duração, participantes, colaboradores, etc., sempre focados em facilitar que o público-alvo possa e queira se envolver.
Lembre-se: a experiência é a rainha, precisa ser algo que as pessoas realmente queiram viver e compartilhar.
> Convide à participação ativa
Um bom storydoing não se trata apenas de fazer um evento e deixar as pessoas assistindo, mas de fazer com que o público participe.
Desde o design, inclua mecanismos para envolver as pessoas de forma ativa.
Pode ser algo tão simples quanto pedir que os participantes realizem uma ação (ex.: escrever suas próprias mensagens, escolher entre opções, colaborar entre si) ou tão elaborado quanto co-criar algo junto com a marca.
A ideia é que sintam que são parte do que está acontecendo, não meros observadores.
Você também pode se apoiar nas redes sociais para ampliar a participação: por exemplo, criando uma hashtag e incentivando os usuários a postar conteúdo relacionado, ou transmitindo a experiência ao vivo e convidando o público on-line a interagir.
Outra tática é oferecer incentivos para participar, como recompensas simbólicas, reconhecimento (por exemplo, destacar as melhores contribuições) ou benefícios exclusivos ligados à experiência.
O importante é cultivar um ambiente em que o público se sinta protagonista e embaixador ao mesmo tempo.
> Comunique e amplifique a história
Embora o ideal do storydoing seja que a história se difunda sozinha por meio de quem a vive, na prática você precisa dar um empurrão estratégico na comunicação.
Defina quais canais você vai usar para divulgar tanto a convocação (se for um evento pontual) quanto para amplificar depois os resultados.
As redes sociais costumam ser aliadas naturais do storydoing, por sua capacidade de viralização.
Prepare conteúdo audiovisual atraente que documente a experiência: fotos, vídeos de depoimentos, resumos do evento, etc., e compartilhe nos canais onde seu público está (Instagram, YouTube, TikTok, LinkedIn, imprensa digital, etc., conforme o caso).
Uma história real bem contada em formato de vídeo pode continuar emocionando quem não esteve presente e servir para estender o alcance.
Além disso, conectar-se com algum veículo de comunicação relevante ou influenciador (que se encaixe genuinamente com a ação) pode dar cobertura adicional, desde que se mantenha a autenticidade.
Ao comunicar, destaque o aspecto humano e a emoção da experiência mais do que o produto em si; o objetivo é inspirar outras pessoas com o que aconteceu.
Por exemplo, se sua campanha foi um desafio esportivo patrocinado pela marca, conte as histórias de superação dos participantes mais do que as características do seu produto energético.
> Meça, aprenda e reforce
Depois de implementar a estratégia, dedique tempo a avaliar os resultados e os aprendizados.
Você alcançou os objetivos propostos? Aqui é fundamental ter definido antes quais métricas importam: pode ser número de participantes, menções nas redes, alcance na mídia, aumento em alguma métrica de marca (lembrança, percepções positivas), ou até mesmo impacto nas vendas, se for o caso.
Reúna feedback dos participantes: suas opiniões, o que sentiram, o que destacariam da experiência.
Essa informação vai ajudar você a entender o verdadeiro impacto emocional alcançado e detectar áreas de melhoria.
Analise também qualquer desafio operacional que tenha surgido (houve problemas logísticos? As pessoas entenderam a mensagem?).
Com tudo isso, tire conclusões para reforçar ações futuras.
O storydoing não precisa ser algo isolado; idealmente, faz parte de uma filosofia contínua da marca de envolver sua comunidade.
Por isso, depois de uma iniciativa bem-sucedida, pense em como manter a história viva.
Talvez você possa dar continuidade nas redes sociais, criar uma série de eventos relacionados, ou ao menos integrar elementos do que foi aprendido na comunicação diária da marca.
Cada ciclo de storydoing vai permitir que você refine ainda mais a conexão com o seu público.

· Exemplos de storydoing: marcas que fazem viver sua história
Para entender melhor como funciona o storydoing, nada como ver casos reais. Várias marcas reconhecidas implementaram com sucesso essa abordagem, transformando seus valores em ações que deixaram marca no público.
Vejamos alguns exemplos de destaque:
> Red Bull: a adrenalina em forma de experiência
Uma das empresas pioneiras e emblemáticas do storydoing é a Red Bull.
Essa marca de bebidas energéticas sempre vendeu mais do que uma bebida: vende um estilo de vida audacioso e aventureiro.
Em vez de apenas dizer isso em anúncios, a Red Bull leva isso à prática organizando e patrocinando experiências extremas que personificam seu famoso slogan “Red Bull te dá asas”.
Um exemplo icônico é o projeto Red Bull Stratos: em 2012, a marca financiou e promoveu o salto estratosférico de Felix Baumgartner, que quebrou recordes ao se lançar de mais de 39.000 metros de altura.
Essa façanha, transmitida ao vivo para o mundo, literalmente deu asas à marca e mostrou seu espírito de levar os limites humanos ao próximo nível.
Milhões de pessoas acompanharam o evento com espanto, e até hoje ele é lembrado como uma das campanhas de marketing mais espetaculares da história recente.
Mas a Red Bull não parou em um único evento.
Ela construiu todo um universo de conteúdos e eventos em torno de esportes radicais, música e cultura urbana que reforçam continuamente sua história de marca.
Por exemplo, organiza anualmente a série Red Bull Cliff Diving, competições de saltos ornamentais de grandes alturas, e o Red Bull Music Festival, entre outros eventos globais.
Também produz conteúdo por meio de sua revista The Red Bulletin e de seu canal no YouTube com vídeos de esportes radicais.
Em todas essas iniciativas, a Red Bull aparece não apenas como uma bebida, mas como a facilitadora de experiências extraordinárias, fazendo com que seu público-alvo (jovens amantes da adrenalina) viva essa filosofia intrépida.
Graças a essa abordagem consistente de storydoing, a Red Bull conseguiu uma conexão emocional duradoura: seus consumidores se sentem parte da aventura, e a marca se posicionou firmemente como sinônimo de ação e energia.
> Dove: beleza real em ação
A Dove, marca de produtos de cuidados pessoais, é outra referência na aplicação do storydoing, especialmente alinhada aos seus valores de autoestima e beleza real.
Há anos a Dove se posicionou com um storytelling focado em romper estereótipos de beleza e celebrar a diversidade (sua conhecida campanha “Real Beauty” em storytelling).
Para dar vida a essa mensagem, a Dove realizou várias iniciativas nas quais envolve diretamente mulheres reais, fazendo com que sua mensagem de autoestima seja vivida em primeira pessoa.
Um caso muito famoso foi o dos “Retratos de Beleza Real” (Real Beauty Sketches).
Nessa campanha, a Dove convidou várias mulheres a participar de um experimento: um artista forense desenhava um retrato de cada uma baseado primeiro em como elas se descreviam, e depois um segundo retrato baseado em como outra pessoa as descrevia.
Ao comparar os dois desenhos em um vídeo, as participantes (e o público) puderam ver a marcante diferença: as mulheres tendiam a ser muito críticas consigo mesmas, enquanto os estranhos as descreviam de forma mais positiva e bonita.
Esse experimento emotivo, que se difundiu amplamente em 2013, comoveu milhões e traduziu de forma vivencial a mensagem da Dove sobre a autoimagem: “você é mais bonita do que pensa”.
As lágrimas e os sorrisos das participantes ao ver seus retratos falaram mais alto do que qualquer slogan.
Além dessa campanha viral, a Dove implementou programas educativos e oficinas de autoestima para jovens, por meio de seu Projeto Autoestima, levando sua missão além da publicidade.
Ao fazer isso, a marca passa do discurso à ação social: não apenas comunica a importância da autoestima, mas oferece ferramentas reais para cultivá-la.
As mulheres (e os homens) que interagem com essas iniciativas se tornam parte da história da Dove, ao mesmo tempo em que a marca reforça sua credibilidade e compromisso autêntico com a causa.
Graças ao storydoing, a Dove conseguiu se diferenciar em um mercado saturado de promessas vazias de beleza, construindo uma relação mais profunda e de confiança com seu público.
> Coca-Cola: compartilhando a felicidade
A Coca-Cola é uma marca que historicamente contou histórias emotivas ligadas à felicidade e à união.
Nos últimos anos, deu passos rumo ao storydoing com campanhas em que essa felicidade é colocada em prática em situações reais com os consumidores.
Um exemplo lembrado é a campanha da “Máquina da Felicidade” (e variantes como o “Caixa eletrônico da felicidade”).
Em uma dessas ações, a Coca-Cola instalou máquinas especiais em locais públicos que davam de presente algo inesperado a quem interagia com elas, mas com uma condição: era preciso compartilhar esse presente com outra pessoa.
No caso do “caixa eletrônico da felicidade”, as pessoas recebiam dinheiro ou vales para, por exemplo, convidar alguém para comer, comprar algo para um familiar ou fazer uma boa ação.
Essas experiências foram filmadas e depois divulgadas, mostrando as reações autênticas de surpresa e alegria das pessoas ao dar e receber felicidade.
A genialidade da Coca-Cola foi transformar seu slogan de campanha (“Abra a felicidade”) em algo tangível: por alguns minutos, quem encontrou essas máquinas viveu uma situação feliz que depois contou a outras pessoas, seja nas redes sociais ou pessoalmente.
A marca conseguiu assim se associar, na vida real, a atos de generosidade e momentos positivos, além do consumo da bebida em si.
Outras ações da Coca-Cola incluíram máquinas que só funcionavam se duas pessoas colaborassem (fomentando a amizade) ou que personalizavam as garrafas com nomes para convidar a compartilhá-las.
Todas essas iniciativas de storydoing reforçaram seu posicionamento como a marca da felicidade compartilhada, gerando enormes índices de conversa espontânea e carinho pela marca.
A Coca-Cola mostrou que até mesmo em um produto cotidiano é possível criar magia envolvendo os consumidores em pequenas aventuras alegres.
> Outras marcas e abordagens
Existem muitos outros exemplos de storydoing, de empresas grandes e pequenas, cada uma adaptando as experiências ao seu próprio universo.
Por exemplo, a empresa de canetas BIC realizou eventos de inauguração de lojas em que convidava os participantes a desenhar sua própria “cédula” com suas canetas, que depois podiam usar como cupom de compra.
O objetivo não era vender naquele dia, mas fazer com que o público brincasse e criasse com o produto, vivenciando a criatividade que a BIC promove.
O resultado: uma experiência divertida que fez com que os participantes se lembrassem da marca com um sorriso e a associassem à imaginação.
Outra história interessante é a da TOMS Shoes, a marca de calçados que adotou o modelo “One for One”: para cada par de sapatos vendido, doam outro par a uma criança necessitada.
A TOMS transformou sua proposta em um ato concreto de solidariedade no qual envolve diretamente o cliente (comprar é igual a ajudar).
Esse conceito inspirou milhões e transformou seus compradores em participantes de uma causa social, muito além de simplesmente usar um par de sapatos.
A lição aqui é que o storydoing também pode se manifestar na própria forma do negócio, tornando a responsabilidade social parte da experiência de marca.
Da mesma forma, marcas como a Patagonia praticam storydoing alinhado aos seus valores ecológicos: desde campanhas para reparar e reutilizar roupas (em vez de vender mais) até ativismo ambiental declarado.
Cada ação reforça a história que contam sobre cuidar do planeta, demonstrando que seus princípios são levados a sério.
Os clientes da Patagonia, muitos dos quais são amantes da natureza, se sentem assim identificados e orgulhosos de apoiar uma marca que faz o que diz.
Como vemos, não importa o setor ou o tamanho, o storydoing pode ser aplicado de diversas formas.
A chave é encontrar essa interseção entre os valores da marca, a criatividade e as experiências que vão ressoar com o seu público.
Quando essa fórmula é alcançada, o impacto pode ser extraordinário: a marca transcende seu produto ou serviço para ocupar um lugar na vida e na memória das pessoas.
· Conclusão: do storytelling ao storydoing, uma nova forma de conectar
O storydoing se posicionou como uma evolução natural (e necessária) no mundo do marketing e da comunicação de marcas.
Em uma época em que os consumidores exigem mais autenticidade, participação e emoção, essa abordagem oferece uma resposta eficaz: transformar promessas em fatos e histórias em vivências.
Não se trata de descartar o storytelling, mas de fortalecê-lo com ações.
Na verdade, a fórmula vencedora costuma ser bom storytelling + excelente storydoing.
Primeiro definir um relato poderoso e depois dar vida a ele de uma forma que convide o público a se juntar.
Para um marketing mais humano e memorável, é hora de “deixar para trás o simples contar histórias” e se animar a fazer com que elas aconteçam.
As marcas que conseguem implementar o storydoing conseguem se diferenciar, conquistar o coração do seu público e construir comunidades de clientes fiéis.
Claro que envolve desafios e exige autenticidade, mas os resultados –em reputação, alcance e conexão emocional– valem a pena.
Em suma, o storydoing convida as marcas a falar menos e agir mais, criando junto com seus clientes momentos que contam uma história por si mesmos.
O que você está esperando para incorporá-lo à sua estratégia? Como diria um bom narrador: esta história apenas começa, e você pode fazer parte dela. Chegou a hora de passar à ação!