Influenciadores e marketing social: o que há de real no seu envolvimento com causas sociais?

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Além das ações de influencer marketing que estamos tão acostumados a ver na publicidade, existe uma corrente que zela pela responsabilidade social e que, cada vez mais, chama a atenção de marcas e consumidores.

Trata-se de ações realizadas por influenciadores que mostram o seu compromisso com causas sociais de peso, o que justifica em grande parte os seus milhares de seguidores.

Como era de esperar, as marcas identificaram nessa corrente uma oportunidade de negócio para mostrar o seu compromisso com a sociedade.

Quando uma campanha publicitária é protagonizada por um influenciador desse tipo, a credibilidade das ações da marca por trás dela é maior. Essas pessoas têm autoridade nesse meio, e o público confia que elas não apoiariam produtos ou serviços que realmente não respeitassem a sua causa.

Os influenciadores que dão voz a esse tipo de situação social têm, por sua vez, uma tarefa muito importante.

Como se costuma dizer, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Seja o compromisso com o meio ambiente, com os direitos humanos, com a desigualdade…

A cada passo que dão, eles são observados e tomados como exemplo pelos outros. Nesse sentido, eles têm um atrativo muito especial para as marcas. Mas nem tudo é positivo. Neste artigo, vamos ver os dois lados da moeda.

· O poder dos influenciadores no marketing social

As empresas e os negócios também exercem certo poder na mudança social por meio das suas ações de marketing. Todos os dias, eles se expõem a um público mais ou menos amplo, que ouve a sua voz e observa com lupa cada passo que dão.

Por outro lado, o consumidor também ficou mais exigente e, na hora de comprar, repara em aspectos que antes passavam despercebidos, como a origem dos materiais ou o compromisso com questões sociais.

Por isso, cada vez mais marcas começam a dar visibilidade aos seus valores, a apostar no marketing social e a trabalhar com influenciadores que as ajudem a ganhar credibilidade. Mas esse não é o único benefício relacionado…

Vamos ver mais alguns!

◆ Eles geram um impacto positivo na sociedade

Esse tipo de influenciador busca despertar consciências e compartilhar as suas convicções com o mundo para que, assim, as pessoas os ajudem a mudar situações que realmente os preocupam.

Quando falamos de influenciadores e causas sociais, estamos nos referindo a pessoas que buscam algo mais do que uma curtida.

Nesse sentido, o que elas desejam é melhorar alguma questão da sociedade e fazer do mundo um lugar melhor, preocupando-se com temas como o pacifismo, o racismo, a poluição, o uso dos recursos naturais…

Aqui, as marcas podem atuar como amplificadoras e, ao mesmo tempo que se somam a esses movimentos e contribuem para o bem-estar social, veem o seu nome ligado a causas que vão além do interesse econômico.

Eles melhoram o posicionamento da marca em valores sociais

◆ Eles melhoram o posicionamento da marca em valores sociais

A responsabilidade social é uma das formas que as empresas têm de demonstrar o seu compromisso com a sociedade. Por meio dela, mostram como, com cada uma das suas atividades, buscam impactá-la de forma positiva.

O trabalho realizado com influenciadores sociais reforça a credibilidade das empresas em relação ao seu envolvimento e, além disso, as torna mais visíveis.

Um exemplo poderia ser a empresa de telefonia Vivo, que contratou Julia Tolezano, uma mulher feminista com mais de 1,5 milhão de seguidores, e colheu um sucesso notável com a sua campanha.

◆ Eles aumentam o alcance das marcas

Pode-se dizer que os seguidores desses influenciadores, pelo seu pano de fundo social e de consciência, são de mais qualidade do que os de quem é seguido pela sua “popularidade” em qualquer outra área.

No momento em que uma marca começa a andar de mãos dadas com influenciadores e causas sociais, os seguidores deles veem nela mais uma voz que se junta à sua luta, por isso oferecem menos resistência a confiar.

O principal motivo é que esses influenciadores defendem causas de interesse comum. Por isso, gera-se um sentimento de identificação com as palavras e ações deles, e eles se tornam líderes capazes de contribuir para a mudança.

No entanto, se falamos de um influenciador de moda, o compromisso dos seus seguidores é menor, já que eles se movem apenas por interesses superficiais que podem ficar ultrapassados em meses, semanas ou até dias.

◆ Eles viralizam publicações

As ações de marketing protagonizadas por esse tipo de perfil profissional, que trazem uma mensagem consciente e de valor, viralizam rapidamente. Faça um esforço de memória e com certeza vai se lembrar de alguma!

Isso beneficia diretamente a marca que está por trás, sempre que há uma boa estratégia de marketing, já que ela pode multiplicar o alcance das suas publicações em questão de horas.

Influenciadores e causas sociais: o lado “sombrio”

· Influenciadores e causas sociais: o lado “sombrio”

Apesar das vantagens que comentamos, às vezes nem tudo são flores. Houve casos em que o ROI obtido nesse tipo de ação de marketing com influenciadores foi negativo (ou seja, houve prejuízo).

Neste ponto, mais do que apontar a baixa eficiência dessas atividades, eu apontaria os aspectos que é necessário observar, ou verificar, antes de começar a trabalhar com um influenciador, seja de que área for.

◆ Ser influenciador não é a mesma coisa que ser popular

Influência e popularidade não são a mesma coisa. Ser popular implica ter certo número de seguidores e curtidas. Mas ser influenciador vai além.

Um influenciador tem o poder de transformar a percepção de outras pessoas, o que, ao mesmo tempo, implica uma grande responsabilidade, já que pode mudar a vida dos outros.

Assim, por exemplo, um influenciador responsável levaria você a questionar o fato de comer carne todos os dias, usar embalagens descartáveis (em vez de reutilizáveis) ou consumir qualquer outro produto agressivo para o meio ambiente.

Diante disso, as marcas devem ser cuidadosas e evitar cair na armadilha dos números escandalosos de seguidores ou curtidas (que podem ser falsos).

◆ Da realidade à “moda”

O que começou de forma natural virou uma moda em que todo mundo quer ser influenciador. Na verdade, muitos se chamam assim… mas poucos realmente são.

A falta de formação e de controle está fazendo com que esse tipo de profissional perca confiança e seriedade.

Este mercado é muito sujeito a fraudes. Não é por publicar conteúdo nas redes ou ter certo número de seguidores e curtidas que um influenciador pode ser considerado profissional.

O verdadeiro motivo do problema

◆ O verdadeiro motivo do problema

Nos últimos anos, as marcas investiram mais de 35 milhões de euros em campanhas de marketing com influenciadores.

Os dados dizem que mais da metade desse capital não teve retorno positivo sobre o investimento. No entanto, quando se fala de estratégias com influenciadores, continua-se dizendo que funcionam.

Na minha opinião, para que funcione, você deve analisar os seguintes elementos:

● Seguidores. Visite alguns dos perfis que seguem o seu influenciador e analise se são reais ou não.

● Comentários. Leia as perguntas que outras pessoas enviam, os comentários, as respostas… e verifique se têm coerência e utilidade.

● Curtidas. Não fique só com o número de curtidas das publicações: podem ser bots ou curtidas compradas. Revise alguns dos perfis que curtiram e preste atenção se são perfis reais.

● Publicações. Observe que tipo de publicações ele faz ou que tipo de stories publica. Ou seja, são mensagens com valor? Ou ele só lança mensagens vazias? Você acha que ele poderia ter repercussão real?…

O motivo pelo qual aconselho estudar essas informações é que a má prática de alguns está diminuindo a confiança no influencer marketing.

Por outro lado, em torno de todo esse nicho existe um mercado oculto, como o da compra de seguidores, curtidas ou comentários. Práticas que, embora sejam cada vez mais penalizadas e controladas, você precisa saber detectar para conhecer a verdadeira influência de um perfil desse tipo.

◆ O mercado dos influenciadores atualmente

A origem dos influenciadores se baseia na credibilidade que ofereciam quando isso ainda nem era uma profissão. Agora, parece que esse modelo está se desgastando.

O mundo dos influenciadores está perdendo credibilidade, já que o interesse econômico pode acabar prevalecendo sobre qualquer outro.

Em muitos casos, o consumidor não vê naturalidade nas suas ações comerciais, porque está cansado das mesmas mensagens e da pressão que alguns exercem para que comprem os produtos que promovem. Além disso, muitos apresentam um estilo de vida ideal que pouco se parece com o real.

Tudo isso fez a confiança neles diminuir, e o cliente prefere ouvir o depoimento de um cliente comum que já experimentou o produto ou serviço a escutar um influenciador que pode estar recebendo milhares de euros.

Chegou-se ao ponto de alguns promoverem produtos que não combinam com o seu estilo de vida ou de que claramente não precisam. Práticas que o público percebe.

Um exemplo poderia ser a promoção de um creme antirrugas nas mãos de um influenciador com menos de 30 anos, que ainda nem sabe o que são pés de galinha.

No entanto, quando se trata de influenciadores e causas sociais, ainda existe certa confiança, já que o envolvimento desses profissionais pesa a seu favor.

Exemplos de influenciadores e causas sociais

· Exemplos de influenciadores e causas sociais

Como eu disse, este nicho está, sim, em alta. Talvez a naturalidade dos seus protagonistas e o seu compromisso com os movimentos que defendem sejam o que o mantém em destaque.

Essas pessoas ficaram conhecidas por uma causa de peso que as preocupa. Não buscavam fazer um negócio com isso, e esses são aspectos pelos quais ganham credibilidade.

Os compromissos vão do meio ambiente a questões relacionadas aos direitos humanos. Aqui estão alguns exemplos:

● Greta Thunberg.

Ainda não se conhece nenhuma campanha publicitária dela, mas a sua conta no Instagram tem mais de 9 milhões de seguidores. Mesmo assim, ela serviu de inspiração para algumas empresas de energia elétrica escreverem artigos e notícias.

● DeRay Mckesson.

Ele luta contra a violência e defende os direitos civis das pessoas. É um dos líderes do movimento Black Lives Matter. Nesse sentido, um dos seus comentários no Twitter serviu para tirar do ar um anúncio que colocava a sua causa em xeque.

● Boniface Mwangi

É ativista, fotógrafo e um dos impulsionadores da mudança social no Quênia. Tem mais de um milhão de seguidores no Twitter e recebeu até os parabéns de Barack Obama por um dos seus livros.

● Gurmehar Kaur.

Ativista indiana preocupada com a discriminação e com a situação do seu país. Tem cerca de 95 mil seguidores no Twitter e publicou um livro em que promove a sua causa, chamado “Small Acts of Freedom”.

● Yusra Mardini

Nadadora síria que, depois de participar dos Jogos Olímpicos do Rio como refugiada, foi contratada pela marca de roupas esportivas Under Armour.

● Ibn Ali Miller.

Ficou conhecido por um vídeo viral em que separava alguns garotos que estavam brigando. É pacifista muçulmano e trabalha como modelo para a marca Lululemon.

· Conclusões

O público, as marcas e os consumidores querem encontrar gente autêntica nas redes sociais. Pessoas que não se movem apenas por estratégias de marketing e meros interesses econômicos.

Por esse motivo, influenciadores e causas sociais são dois termos cada vez mais ligados. Assim surgiu uma nova corrente de profissionais que, longe de buscar um benefício, lutam para dar visibilidade àquilo por que lutam e em que acreditam.

Que outros casos de influenciadores comprometidos com causas sociais você conhece? Conte para nós nos comentários!

Teresa Alba

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