Neuromarketing: tudo o que você precisa saber sobre as novas tendências e a transformação do mercado

Mailrelay , Invited guest @ Mailrelay

O Neuromarketing é uma disciplina inovadora que, nos últimos anos, tem influenciado a revolução do mundo do marketing e a transformação do mercado atual, gerando novas tendências e se ajustando cada vez mais aos desejos do consumidor.

Você já se perguntou por que o marketing ou as estratégias publicitárias causam tanto impacto em você? Ou como os buscadores da internet e as redes sociais ‘leem a sua mente’, quando você percebe que aparecem publicações sobre algo que você desejava e em que estava pensando, sem precisar pesquisar no Google?

O Neuromarketing pode responder a várias dessas perguntas.

Este é o primeiro de dois artigos que preparamos para você com todas as informações que precisa saber sobre essa poderosa corrente que chegou para ficar e continuar transformando paradigmas no mundo.

O mais importante

  • Os estudos gerados a partir das neurociências demonstraram que nossas decisões são, em sua maior parte, inconscientes. A parte que acreditamos ser consciente é apenas uma justificativa ou racionalização do que o nosso cérebro determinou de forma inconsciente.
  • O Neuromarketing permite vincular os processos inconscientes da mente aos comportamentos relacionados às ações de compra.
  • Com as informações obtidas por meio dos estudos de Neuromarketing, é possível estruturar campanhas com mais segurança de que os elementos que as compõem vão reter o usuário e, portanto, o ROI da empresa estará garantido.

O que é Neuromarketing?

O Neuromarketing pode ser definido como uma disciplina que utiliza técnicas próprias das neurociências e da biometria com o objetivo de gerar dados precisos sobre como o nosso cérebro funciona quando é exposto aos métodos tradicionais do marketing.

Isso permite conhecer a fundo e obter informações confiáveis sobre quais áreas do cérebro são mais estimuladas diante de qualquer estratégia de mercado e publicidade, além de saber qual é a valência emocional que ela pode gerar nos usuários. Em outras palavras, permite vincular os processos inconscientes da mente aos comportamentos relacionados às ações de compra.

Efeito das estratégias de marketing e das redes sociais no cérebro do consumidor
Efeito das estratégias de marketing e das redes sociais no cérebro do consumidor (Fonte:Gerd Altmann:1233873/Pixabay.com)

Quando falamos das áreas do cérebro que intervêm nesses processos, como o hipocampo, o núcleo accumbens, a amígdala e a ínsula, entre outras, usamos termos que médicos ou pesquisadores entendem com mais facilidade.

Para os profissionais de marketing, costuma ser mais útil obter a tradução dessas estruturas, entendendo que, dependendo da área do cérebro onde a atividade ocorre, ela indicará:

  • Como a campanha ou estratégia é processada pelo usuário e quais são as áreas do cérebro que permitem a retenção e a memorização da informação.
  • Qual é a valência emocional que ela produz na pessoa; ou seja, se são ativadas as estruturas do cérebro relacionadas ao prazer ou à satisfação (valência positiva) ou se, pelo contrário, entram em ação estruturas relacionadas à tristeza ou à repulsa (valência negativa).
  • O quanto a estratégia consegue reter a atenção do usuário. Se ela prende o usuário a ponto de ele continuar assistindo ou se o entedia e o faz perder o interesse.

É importante destacar que a valência positiva ou negativa é relativa à intenção das campanhas publicitárias: há movimentos que exploram a raiva, a tristeza ou outras valências negativas para mobilizar os usuários a realizar uma ação concreta.

Com essas informações, é possível estruturar campanhas publicitárias, sites etc., nos quais se podem criar ações relacionadas ao branding ou ao engagement com a marca, com mais segurança de que os elementos que os compõem vão reter o usuário e, portanto, o ROI da empresa estará garantido.

Origem do Neuromarketing

A partir do que mencionamos antes, o conceito de Neuromarketing pode ser resumido como a combinação perfeita entre a neurociência, o marketing tradicional e o uso da tecnologia e dos dados para chegar a cada consumidor de forma individual.

O neuromarketing permite criar uma experiência do usuário mais rica, o que se traduz em estratégias de comunicação especializadas e diferenciadas para os nossos consumidores, resultando em maior conexão e maior engagement com a marca.

Neurociência + Marketing tradicional + Dados e tecnologia = Neuromarketing
Neurociência + Marketing tradicional + Dados e tecnologia = Neuromarketing (Fonte:Gerd Altmann:4389372/Pixabay.com)

Mas qual é a origem dessa disciplina?

A origem do Neuromarketing está nas neurociências. Há centenas de anos, o ser humano se interessa em conhecer o funcionamento das estruturas cerebrais e do sistema nervoso em geral. Disciplinas como:

  • A Neuroanatomia.
  • A Neurofisiologia.
  • A Neuroquímica.
  • A Neurofarmacologia.
  • A Neuroendocrinologia.

Estudaram o sistema nervoso sob diferentes óticas, o que despertou maior curiosidade em saber como ele influencia diretamente todos os nossos comportamentos.

A partir da análise das pesquisas sobre as ações humanas, nasceu a neuropsicologia, a ciência que busca compreender a atividade neuronal em relação aos diferentes comportamentos e motivações humanas. Com base nisso, por volta de 1980, vários cientistas se interessaram em entender o ser humano, especificamente como consumidor.

Em 2002, o termo ‘Neuromarketing’ foi usado pela primeira vez por Ale Smidts e, no mesmo ano, foi inaugurada a ‘Sales brain’, a primeira empresa oficial de Neuromarketing.

Com o passar dos anos, essa disciplina foi ganhando espaço, já que o impacto que gerou nas estratégias de marketing das empresas que a utilizam tem sido muito bem-sucedido; e cada vez mais empresas adotam os modelos resultantes do Neuromarketing para criar novas metodologias em seus processos.

Quais ferramentas das neurociências o Neuromarketing utiliza?

Existem diversas ferramentas das neurociências que são aplicadas nos estudos da mente do consumidor. Entre as mais utilizadas estão:

A ressonância magnética funcional (fMRI):

É uma técnica não invasiva que permite obter imagens do cérebro com grande nível de detalhe. Nos estudos de Neuromarketing, geralmente, o indivíduo é exposto a algum estímulo visual, auditivo, gustativo, olfativo ou tátil para que se possa analisar quais áreas neuronais estão envolvidas no seu processamento

Esse tipo de ferramenta permite medir: como é a codificação da memória diante do produto, se há mais ou menos chance de ele ser lembrado, como a percepção sensorial intervém, ou seja, quais sentidos são mais estimulados, e a valência emocional (o tipo de emoção) que ele gera. É possível determinar se a pessoa sente confiança e lealdade à marca ou, no caso de um estudo comparativo, a preferência entre as marcas.

Equipamento de Ressonância Magnética Funcional
Equipamento de Ressonância Magnética Funcional (fMRI) (Fonte:Jarmoluk: 2813899/ Pixabay.com)

Eletroencefalograma (EEG):

Permite observar as variações nas ondas cerebrais quando é apresentado algum estímulo relacionado ao marketing. É considerado um método não invasivo e, geralmente, é um equipamento pequeno e portátil. Costuma ser combinado com dispositivos de EyeTracking ou de condutância da pele.

Os resultados da variação nas ondas cerebrais permitem interpretar quanta atenção o estímulo desperta no usuário. Também permite medir se a estratégia gera engajamento ou tédio, a emoção que esse estímulo produz na pessoa e a codificação da memória.

Eletroencefalograma (EEG)
Eletroencefalograma (EEG) (Fonte:Ulrichw: 2680957/ Pixabay.com)

EyeTracking:

É um dispositivo de rastreamento ocular que permite analisar certos processos mentais do usuário estudando o seu percurso visual; diferentemente do EEG e da fMRI, esse dispositivo não estuda a atividade cerebral, mas se especializa apenas em captar os movimentos (sacadas e fixações) que os olhos do indivíduo fazem.

Os dados observados com essa ferramenta são as fixações visuais do participante diante do estímulo de marketing. Estuda-se quanto tempo a pessoa fica olhando para o estímulo, o percurso que o olhar faz e se há ou não dilatação da pupila e, a partir desses dados, é possível interpretar se a proposta apresentada tem a capacidade de reter a atenção e como são os padrões de busca do usuário.

Neste último caso, estudar os padrões de busca, com o percurso do olhar e as fixações, é muito útil para o design de sites. Permite saber o quão bem a página ou o programa está projetado e se a disposição e a estrutura do design são as mais adequadas para que os usuários possam interagir de forma simples com a interface.

Rastreamento ocular
Rastreamento ocular (Fonte: VictorFreitas: B0zAPSrEcFw/Unsplash.com)

Codificação facial (Facial Coding):

Por meio de um software especial e de uma câmera de vídeo, essa ferramenta consegue medir a atividade muscular e as microexpressões do rosto diante do estímulo de marketing.

O objetivo dos estudos em que esse tipo de medição é utilizado é distinguir a expressão facial associada a alguma das emoções básicas: alegria, surpresa, medo, raiva ou tristeza, e analisar as reações não conscientes à estratégia que se pretende empregar. Esse software pode ser combinado com os dispositivos de EyeTracking integrados ao computador, obtendo assim os dados das duas ferramentas.

Codificação facial
Codificação facial (Fonte:ThisisEngineering: 8hgmG03spF4/Unsplash.com)

Condutância da pele (Skin Conductance):

Essa ferramenta permite estudar as pequenas alterações na resposta galvânica da pele. Ela mede a excitação da pessoa diante do estímulo de marketing que está sendo reproduzido, e a sua resposta pode ser usada para prever a ação de compra.

Geralmente, essa ferramenta não é usada sozinha, mas combinada com outras medições, como o EyeTracker, o facial coding ou o EEG, para obter mais informações e dar respostas mais concretas ao estudo.

Resposta galvânica da pele
Resposta galvânica da pele (Fonte:JasperWildel:Sk3fZLg-zTc/Unsplash.com)

Teste de associação implícita:

Consiste na apresentação de categorias comparativas e excludentes de um mesmo domínio. Por exemplo: ciências – humanidades; feminino – masculino; que são apresentadas junto com atributos aos quais a pessoa deve associá-las. Geralmente, as categorias são representadas com imagens e os atributos, com palavras. Exemplos de atributos seriam: jovem – idoso, bom – mau, entre outros.

As características e os atributos a serem apresentados no teste devem ser estruturados com base no tema que se deseja estudar e devem permitir correlacionar as atitudes e associações que a pessoa tem a respeito.

Esse teste permite medir as atitudes e avaliações das quais a pessoa pode não estar consciente, além de estudar o tempo que ela leva para responder. No marketing, esse tipo de medição está sendo usado para a análise de preconceitos ou na neuropolítica.

Teste de associação implícita
Teste de associação implícita (Fonte: Própria)

Em outros materiais, você pode encontrar mais ferramentas usadas no Neuromarketing além das que mencionei, mas a verdade é que a lista que mostramos resume os métodos mais eficazes e populares.

No entanto, existem muitas outras; o que acontece é que elas são usadas com menos frequência porque podem ser mais invasivas para o participante do estudo. Entre elas estão:

  • Tomografia por Emissão de Pósitrons (TEP, ou PET na sigla em inglês).
  • Métodos com sensores acoplados ao olho para o rastreamento ocular.
  • Eletro-oculograma.
  • Potenciais evocados.
  • Eletromiografia.
  • Magnetoencefalografia.
  • Estimulação magnética craniana.

Resumo

O Neuromarketing tem uma abordagem multidisciplinar que combina o que há de mais inovador nas neurociências. Essa disciplina se concentra em alguns aspectos relacionados ao comportamento estudado pela psicologia e nas técnicas tradicionais de marketing, que são o seu ponto de partida.

Diferentemente do marketing tradicional, que se concentra nos processos conscientes ou no que o consumidor verbaliza, o Neuromarketing, por meio de ferramentas da neurociência, estuda as raízes mais profundas do ser, ou seja, a parte não consciente que se manifesta quando somos expostos a algum estímulo publicitário. Isso permite um melhor entendimento dos consumidores e de como funciona o processo de tomada de decisão de compra.

Dessa forma, é possível ajustar técnicas e procedimentos ao que melhor se adapta às necessidades individuais dos nossos clientes e ao que queremos reafirmar como marca. Atualmente, as grandes empresas se valem dessa poderosa ferramenta para influenciar seus clientes e se diferenciar dos concorrentes.

Se você quiser conhecer outros dados sobre o Neuromarketing, como quais são as suas vantagens e desvantagens, como o seu surgimento influenciou a mudança do mercado, quais empresas o utilizam atualmente e que contribuições ele pode trazer para a pesquisa de mercado, convido você a ler a parte 2 deste artigo, em que aprofundamos esses aspectos que vão ser de grande ajuda para você.

Entender esses mecanismos ajuda você a identificar os gatilhos psicológicos (triggers) que realmente levam os seus clientes à ação.

Michelle Hernández

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