
Todos sabemos o quanto um nome é importante. Com certeza, mais de uma vez você já leu algum artigo sobre nomes curiosos de pessoas diferentes. Nomes que parecem uma piada quando se conhece o sobrenome que os acompanha, ou que são quase impossíveis de pronunciar.
Se tem essa importância para as pessoas, como o naming não seria importante para as empresas? Com certeza você não precisa pensar mais de cinco minutos para lembrar de alguma marca cujo nome é totalmente infeliz.
Ou, ainda pior, quantas marcas você esqueceu pouco tempo depois de conhecê-las? Isso é consequência de nomes sem gancho, difíceis de lembrar.
“O processo do que conhecemos como “Naming” tem o objetivo de buscar esse nome ou essa palavra que vai representar o seu negócio, tão básico para o desenvolvimento de uma marca.”
E mudar de marca é muito custoso economicamente falando… quanto material você tem com a sua marca impressa? Não é só isso: também é custoso em termos de tempo, porque os usuários demoram a assimilar as mudanças e é preciso um período de adaptação em que os dois nomes (o antigo e o novo) convivem.
Se você quer evitar passar por tudo isso, recomendo que leia e releia este artigo, no qual vamos ver:
- O que é o naming e o que ele traz para uma empresa, marca ou produto.
- Também quais elementos influenciam a representação de uma marca.
- Quais são os aspectos que caracterizam um bom naming, que tipos existem e quais são as melhores técnicas de inspiração para a criação de nomes.
O que é e por que o Naming é tão importante?
Vamos começar definindo o que é o naming, ou processo de criação de nomes para empresas ou produtos, já que é o elemento principal de qualquer identidade corporativa.
“O Naming se refere tanto ao processo quanto ao resultado de buscar um nome que represente uma marca, empresa, produto ou serviço. Trata-se da identidade verbal desse elemento que precisa ser representado.”
Cada usuário vai ter as suas próprias impressões sobre o naming escolhido. Eles vão avaliá-lo com base em suas experiências de vida, suas expectativas, seu uso do vocabulário etc.
Mesmo assim, é preciso tentar encontrar o melhor nome para uma empresa ou produto e, dessa forma, conseguir alcançar amplamente um público-alvo de massa, de modo que não se limitem as possibilidades de uma futura diversificação.
Lembre-se de que criar um bom naming vai ajudar o seu negócio em diferentes aspectos:
- Dá acesso à “short-list”: Esse é o objetivo de todas as empresas em relação aos usuários: estar na memória deles quando precisarem de um dos seus produtos ou serviços.
- Impulsiona os consumidores no processo de decisão de compra: Uma boa marca é aquela que atrai os usuários a se tornarem clientes (e não o contrário).
- Dá a um negócio ou empresa oportunidades de se diversificar: Um bom naming permite que um negócio chegue até onde quiser, dando a oportunidade de se expandir sob o mesmo guarda-chuva da identidade verbal.
- Gera uma certa impressão positiva: Tanto diante do público quanto de investidores e concorrentes, transmitem-se os pontos fortes da própria marca.
- Influencia a produtividade: Com um bom nome de empresa é possível criar uma comunidade interna que influencie a produtividade da equipe interna ou dos funcionários.

Que outros elementos de branding caracterizam as marcas?
Começamos falando dos nomes e da sua relação com as marcas, mas eles não são o único elemento que as representa.
Normalmente, o nome de uma empresa aparece sempre escrito de uma determinada maneira, não é? Claro, estou falando do logotipo.
A representação de uma marca ou produto é feita por meio de vários elementos que devem trabalhar em conjunto para conseguir abrir espaço na mente do usuário.
► Naming ou nome
O primeiro elemento é, efetivamente, o naming ou nome. Ele deve funcionar em todos os planos possíveis (visual, sonoro e até escrito). Ou seja, pode ser fácil de identificar ao lê-lo, mas… alguém sabe escrever corretamente Yves Saint Laurent ou Häagen-Dazs sem pensar pelo menos duas vezes?
Na hora de pensar em um nome de marca, é preciso considerar uma série de perguntas que o tornarão mais ou menos reconhecível:
- É fácil de lembrar?
- Os clientes saberão pronunciá-lo?
- Dá para ler e escrever com facilidade?
Além desses aspectos mais ligados à gramática, à ortografia e à linguística, há outras características que você também deve avaliar na hora de começar a criar o seu nome de marca ou empresa:
- Pense no público ao qual você se dirige e se há palavras que possam gerar confusão: Mesmo que você trabalhe no seu próprio idioma, se for vender em outros países que também falem essa língua, precisa garantir que conhece bem os usos de cada lugar.
- Considere contar com um consultor que possa orientar você sobre as possíveis conotações negativas: Uma palavra que consideramos completamente normal no nosso país pode ter outros significados em outros países (nos quais talvez você também atue).
Você já pensou em como o naming da sua marca funciona para o tipo de produto ou serviço que você oferece? Às vezes, uma boa ideia para uma marca não funciona bem com um produto, já que pode gerar confusão ou provocar rejeição nos consumidores; pensemos, por exemplo, no gel íntimo Chilly.
► Logotipo e outras simbologias
Como já mencionei anteriormente, para representar a identidade verbal ou naming de uma marca, é preciso desenvolver um logotipo ou qualquer uma das suas diferentes variantes (imagotipo, isotipo, isologo…).
Qualquer que seja a sua escolha, a imagem deve estar de acordo com o valor principal que você quer representar na sua empresa ou nos seus produtos.
Por exemplo, ninguém pensaria em colocar um logotipo com chamas em um enxaguante bucal, não é? Se você quer transmitir que o sabor dele é forte ou que limpa em profundidade, vai usar a menta ou o frio. Qualquer conceito mais adequado para temas relacionados à saúde bucal.
“Se você escolher um design de identidade corporativa que não trabalhe na mesma direção que o naming ou outros elementos de branding, é muito provável que cause rejeição.”
► Slogan
Trata-se, nem mais nem menos, da mensagem principal da sua marca. A frase com a qual você quer atrair os usuários e transformá-los em clientes da sua empresa.
Portanto, você deve falar, em poucas palavras, da sua principal característica ou vantagem. Ou seja, o seu slogan deveria responder à pergunta “por que os usuários deveriam consumir os meus produtos ou serviços?”.
Embora você possa abordá-lo de diferentes maneiras, o resultado sempre responderá a essa pergunta. Aqui deixo alguns tipos:
- Descritivo: Slogans que falam diretamente de uma qualidade da sua marca (“The free encyclopedia”, da Wikipedia)
- Emocional: Apela aos sentimentos do usuário e costuma ser associado a produtos aspiracionais (“Abra a felicidade”, da Coca-Cola)
- Diretos: Falam sem rodeios do produto ou serviço oferecido (“Queremos ser o seu banco”, do Banco Santander).
► Fontes e cores
As fontes e cores que você utilizar para desenhar o seu logotipo também devem trabalhar, assim como o naming, para representar os valores da sua marca e dos seus produtos.
De nada adianta você buscar um nome que transmita calma e paz se depois desenhar uma imagem em tons de vermelho ou laranja. Por isso, é necessário buscar as ferramentas que ajudem a fazer com que a mensagem seja percebida em todos os elementos de branding.
Por exemplo, se for uma marca que vende produtos, também é preciso levar em conta o design da embalagem. Lembre-se de que ela é o envoltório do seu produto e o que os usuários vão ver no ponto de venda, por isso deve ser distintiva e facilmente identificável (ao mesmo tempo que representa o que há dentro).

Identidade visual e voz da marca
A identidade visual e a voz da marca são aspectos fundamentais que, junto com o naming, formam a personalidade completa de uma marca.
Esses elementos devem trabalhar em harmonia para criar uma identidade de marca coesa e memorável. Vejamos como esses componentes se integram:
► Identidade visual:
A identidade visual de uma marca inclui o seu logotipo, paleta de cores, tipografias e outros elementos gráficos.
Eles devem estar alinhados com o naming para reforçar a imagem da marca.
Por exemplo, um nome moderno e minimalista combina bem com um design gráfico que siga essa mesma linha estética.
A coerência visual ajuda a criar uma imagem forte e reconhecível na mente do consumidor.
► Voz da marca:
A voz da marca se refere ao estilo e ao tom da comunicação escrita e verbal da empresa.
Essa voz deve refletir os valores e a personalidade que o naming sugere.
Se o nome transmite seriedade e profissionalismo, a voz da marca deveria ser formal e direta.
Se o nome é mais brincalhão ou inovador, a voz pode ser mais informal ou criativa.
► Integração com o Naming:
O nome de uma marca costuma ser a primeira coisa que um cliente percebe, e estabelece expectativas sobre o que virá a seguir.
Portanto, deve haver uma sinergia entre o nome e os elementos visuais e verbais da marca.
Essa integração garante que todas as interações com a marca – do logotipo ao conteúdo de marketing – transmitam uma mensagem coerente e fortaleçam a percepção geral da marca.
Criar uma identidade de marca coesa é um processo que exige reflexão e criatividade.
O nome, a identidade visual e a voz da marca devem estar entrelaçados para contar uma história convincente que ressoe com o público-alvo e se destaque no mercado.

Como criar o melhor Naming para a sua marca?
Conseguir um bom naming não é tarefa fácil, mas você já viu que ele tem muita repercussão em todo tipo de negócio, assim como na sua identidade corporativa.
Ao iniciar esse processo, vimos a importância de considerar diferentes aspectos como: a coerência com os valores ou a filosofia do negócio, evitar denominações com conotações negativas etc…
Passando para a prática, quero apresentar um breve guia de dicas e técnicas para ajudar você na criação do nome perfeito para a sua empresa, marca ou produto.
► Características de um bom nome de marca ou produto
A primeira coisa que você deve compreender são as características que fazem de um nome de marca ou produto um verdadeiro acerto:
- São legíveis e pronunciáveis: Já comentei isso antes, mas aqui faço questão de enfatizar, pois o nome deve funcionar em todos os planos.
- São memoráveis: Se queremos entrar na “short-list”, os usuários precisam conseguir lembrar facilmente o nome da sua marca.
- São duradouros: Não devem seguir modas passageiras, e sim ser válidos para essa marca hoje e daqui a 100 anos. Isso não quer dizer que você não vá evoluir (talvez seja preciso fazer alguma mudança no futuro), mas isso não deve ser determinado por um nome com data de validade.
- São simples e compreensíveis: É preciso evitar que gerem confusão com outras palavras ou, pior, com outras marcas.
- São atraentes: Os nomes devem ter personalidade própria e se destacar da concorrência.
Além de tudo isso, não se esqueça de que um bom naming sempre transmite os valores da marca e trabalha em coerência com os demais elementos dela.
► Tipos de naming
Assim como vimos a classificação dos tipos de slogans, o nome ou naming também pode ser de diferentes tipos.
Dependendo do que você quiser transmitir com a sua marca, você deverá trabalhar uma tipologia ou outra. Temos nomes:
- Descritivos: É o tipo de naming que descreve o produto ou serviço ao qual se refere. Costumam ser nomes simples e fáceis, por exemplo “Zumosol” faz referência a uma bebida que é 100% suco de frutas.
- Emocionais: Assim como no caso dos slogans, os nomes também apelam aos sentimentos dos usuários.
- Inventados: Palavras que não existem e que de repente representam uma marca, como por exemplo “Bershka”.
- Associativos: Associam-se a um sentimento, a uma qualidade ou a uma propriedade do seu produto. É o caso da cerveja “Poker”.
► Técnicas de criatividade para se inspirar
Na hora de colocar a mão na massa na criação do seu naming, há diferentes processos que você pode empregar para obter bons resultados.
Por exemplo, é interessante começar fazendo uma lista de todas as características da sua empresa, dos produtos, do tipo de trabalho etc. Tente resumir cada característica em uma única palavra ou no menor número possível delas.
Depois, você pode fazer um brainstorming, ou chuva de ideias, com tudo o que essa característica sugere a você. Repita o processo com todas aquelas que forem importantes para representar o seu negócio.
Por outro lado, você pode contar com a ajuda de pessoas externas ou, melhor ainda, de crianças. Elas costumam ver a vida de forma muito mais simples do que nós, por isso vão lhe dar as chaves para captar a essência do seu projeto.
Também funciona muito bem investigar a raiz dos seus produtos ou do seu negócio. De onde surge tudo? Tem um passado em outro país? Há palavras em outro idioma que sejam usadas para representar esse produto? Toda essa informação vai trazer ótimas ideias para você.

Considerações legais e disponibilidade de domínio
Depois de ter um nome potencial para a sua marca ou produto, é crucial fazer duas verificações-chave: legal e online.
Verificação legal:
É fundamental garantir que o nome que você escolheu ainda não esteja registrado ou protegido por direitos autorais ou marcas registradas.
Ignorar essa verificação pode levar a disputas legais e exigir uma mudança de nome custosa e prejudicial para a marca.
É recomendável consultar um advogado especializado em propriedade intelectual para fazer uma busca exaustiva nos bancos de dados de marcas registradas.
Disponibilidade de domínio:
Ter um domínio de internet que coincida com o nome da sua marca é essencial.
Verifique a disponibilidade do domínio em diferentes extensões (.com, .org, .net etc.) para garantir que você possa construir uma presença online forte.
Um domínio fácil de lembrar e que coincida com a sua marca aumenta a visibilidade e a acessibilidade do seu negócio na internet.
Testes de mercado e feedback
Depois de ter um nome legalmente viável e disponível online, o próximo passo é validar essa escolha com o seu público-alvo.
Pesquisas e grupos focais:
Faça pesquisas ou grupos focais para obter a opinião direta do seu mercado-alvo.
Pergunte a eles o que o nome sugere, como o percebem e se o associam aos valores e à oferta da sua marca.
Testes A/B em plataformas digitais:
Use testes A/B em plataformas digitais para avaliar diferentes opções de nomes.
Isso pode incluir testar diferentes nomes em anúncios, emails ou landing pages para ver qual gera uma resposta melhor.
Feedback de stakeholders internos:
Não subestime a importância do feedback da sua equipe e de outras partes interessadas internas.
Muitas vezes, elas podem oferecer perspectivas valiosas baseadas no conhecimento íntimo que têm da marca e do mercado.
Validar a sua escolha de naming com testes de mercado e feedback ajudará você a garantir que o nome vai ressoar com o seu público e apoiar os objetivos de longo prazo da sua marca.

Análise de nomes de marcas de sucesso
O sucesso de muitas marcas reconhecidas mundialmente se deve, em parte, a um naming estratégico e bem pensado.
Por exemplo, consideremos a “Apple”.
Esse nome, simples mas poderoso, se destaca em uma indústria em que muitos concorrentes optam por nomes técnicos ou acrônimos.
A escolha de “Apple” reflete uma abordagem nova e acessível da tecnologia, algo que ressoou profundamente com os consumidores.
Outro caso interessante é “Google”.
Esse nome único e memorável se tornou sinônimo de busca na internet, demonstrando como um nome criativo pode influenciar a percepção e o uso do produto por parte dos consumidores.
Esses exemplos mostram como um naming bem escolhido pode ajudar uma marca a se destacar, ser memorável e transmitir a imagem desejada.
Lições aprendidas com más práticas de naming
Por outro lado, alguns nomes de marca não tiveram o mesmo sucesso e servem como valiosas lições.
Um exemplo notório é o do automóvel “Chevy Nova”, que, quando foi lançado em mercados de língua espanhola, não foi bem recebido, já que “no va” em espanhol sugere que “não funciona”.
Esse caso destaca a importância de considerar as implicações linguísticas e culturais no naming, especialmente para marcas que buscam uma presença global.
Outra lição vem de marcas que escolheram nomes genéricos ou descritivos demais, o que pode dificultar a proteção legal da marca e fazer com que o nome seja menos distintivo e memorável.
Esses exemplos ilustram a importância de uma análise cuidadosa e de uma estratégia ponderada no processo de naming, evitando erros que poderiam ter implicações de longo prazo na percepção e no sucesso da marca.
Conclusão
Escolher o naming adequado não é uma tarefa simples. São muitos os aspectos que é preciso levar em conta e, às vezes, podem passar despercebidas considerações que são muito relevantes.
No entanto, esse processo segue algumas tendências que determinam o que agrada aos usuários e o que funciona.
Basta observar as grandes marcas para perceber que cada vez mais se utilizam nomes simples, busca-se a maior expressividade possível e há uma fixação cada vez maior por tudo o que está relacionado à tecnologia e à inovação.
Uma boa análise da concorrência ajudará você a ver que caminhos as marcas seguem e do que o seu público-alvo gosta e não gosta.
Você já tem um nome de marca ou está pensando em lançar um novo produto no mercado?
Que outros conselhos você daria a quem nunca teve que criar um naming?
Um bom nome também estabelece as bases para futuras peças de branded content coerentes com a sua identidade de marca.
