O que são sistemas antispam? Como saber se meu IP está em uma lista negra de spam

Noé Soriano

Neste post, queremos revisar quais sistemas antispam e outros controles são levados em conta na hora de considerar um envio como spam e podem causar o bloqueio das nossas newsletters.

Você provavelmente já conhece muitos deles, como as famosas listas negras, mas outros talvez sejam novidade para você e, com este artigo, você poderá levá-los em conta na hora de identificar possíveis problemas nas suas newsletters.

Vamos vê-los um por um, na ordem em que podem bloquear ou deixar passar um envio de email marketing.

Vamos começar.

· Enfileiramento

Poderia ser chamado de bloqueio temporário por reputação, mais do que por spam, já que, na verdade, ele não faz nenhuma análise nesse sentido: leva em conta dados empíricos de envios anteriores e deixa passar, ou não, conforme a reputação gerada por esses envios anteriores.

No entanto, é preciso ter em mente que enviar spam vai aumentar o enfileiramento de forma muito acentuada.

O enfileiramento acontece, basicamente, quando um ISP ou provedor de hospedagem permite a entrada de até um certo número de mensagens por hora vindas do mesmo remetente ou IP.

E, para o restante, solicita que o envio seja tentado de novo mais tarde pelo servidor que o está enviando.

Quando isso acontece, as mensagens que ficam fora dessa cota entram em uma fila para tentar o envio novamente depois, daí o nome enfileiramento.

O servidor continuará tentando até um certo número de vezes, de acordo com o tempo configurado para isso no servidor de envio e, passado esse tempo, as mensagens serão descartadas.

Nestes artigos, fazemos uma revisão bem completa do enfileiramento e de como evitá-lo:

  1. Por que alguns envios de email ficam na fila?
  2. Rejeições por volume de envio nos ISPs

Vamos continuar

· Listas Robinson

O nome vem do famoso personagem de Daniel Defoe e tenta expressar o que se quer alcançar com elas: um isolamento publicitário parecido com o do famoso náufrago.

Não é um método de bloqueio de spam propriamente dito, já que não atua de forma ativa, mas passiva.

Também não tem relação com as listas negras de email, embora o nome seja de certa forma parecido.

São associações às quais os ESPs podem se filiar, comprometendo-se a nunca enviar emails publicitários para os seus membros, mesmo que os clientes do ESP os tenham em suas bases de dados.

Elas se apresentam como serviços de exclusão publicitária e foram pensadas para que os usuários que querem deixar de receber emails comerciais de qualquer tipo possam se inscrever nelas.

E ter a certeza de que os provedores de email marketing e as empresas filiadas não vão enviar nenhuma newsletter publicitária para eles.

Ilustração de uma nuvem com um cadeado

· Bloqueio SPF

É o mais comum e o primeiro de todos os bloqueios propriamente ditos que a nossa newsletter pode sofrer.

Mas também não tem relação com listas negras, nem com IPs ou domínios em listas negras

Trata-se simplesmente de bloquear ou penalizar as mensagens que chegam de IPs não autorizados no registro SPF.

Nestes artigos, você encontra mais informações sobre como ele funciona e como configurar corretamente o seu remetente para não ter nenhum problema:

  1. O que é o SPF?

· RBL ou listas negras: o que são e como funcionam as listas negras de email

Estes sistemas de bloqueio já são um pouquinho mais complexos.

RBL é a sigla de “Real-time Blackhole List“, o nome do primeiro sistema que, no âmbito da tecnologia da informação, criou uma lista para bloquear envios de remetentes que estivessem incluídos nela.

► O que são as listas negras de spam?

São empresas, associações ou até usuários individuais que compartilham uma lista de IPs ou remetentes dos quais receberam reclamações de spam ou que foram detectados como tal em seus servidores.

Algumas são gratuitas e outras pagas, e os administradores dos servidores de email podem ativá-las para que, se chegar uma mensagem com IPs ou remetente incluídos nessas listas, ela vá para o spam ou até seja bloqueada totalmente.

Elas evoluíram para diferentes tipos de listas, acrescentando (além dos remetentes ou IPs) controles sobre os servidores DNS, servidores SMTP abertos, análises para saber se o remetente tem as contas de controle e abuso criadas etc.

► Como saber se meu IP está em uma lista negra

No total, existem centenas de listas negras.

Por isso, fazer a verificação manualmente pode ser impossível.

Mas existem sites que conseguem verificar várias listas negras ao mesmo tempo.

Por exemplo, neste site você pode verificar se um IP ou domínio está em alguma delas:

https://multirbl.valli.org/

No entanto, a grande maioria é irrelevante e só as maiores costumam ser usadas nos servidores de email e nos sistemas antispam, por exemplo:

  1. Barracuda Networks: barracudacentral.org
  2. Spamcop: bl.spamcop.net
  3. Spamhaus: sbl-xbl.spamhaus.org
  4. URIBL: uribl.com

Quando estamos em alguma destas, aí sim é preciso tomar medidas para resolver o problema.

Como saber se meu IP está em uma lista negra

· Listas cinzas

Uma consequência das anteriores.

Diante de falsos positivos ou alertas duvidosos, decidiu-se criar as listas cinzas.

O que elas fazem é colocar em quarentena um envio de um remetente ou de IPs específicos, mas não de forma permanente: pedem que as novas tentativas de entrega sejam adiadas por algumas horas.

Outras funcionam da mesma forma, mas com base em um certo número de reclamações de spam. Se esse número não for ultrapassado durante as horas de quarentena, o remetente sai da lista cinza.

· Spamtraps

Um sistema antispam peculiar. Consiste em espalhar contas de email armadilha, por exemplo na seção de contato de sites, em diretórios de empresas etc.

Se alguém enviar newsletters para essas contas, saberemos que obteve os endereços sem cumprir as normas antispam e que está enviando emails não solicitados.

Assim que os envios são detectados, somos incluídos em listas negras ou temos a entrada bloqueada em um ISP específico. Neste artigo, nos aprofundamos nas spamtraps e em como elas funcionam:

O que são spamtraps?

· Sistemas de reputação de IPs

O mais famoso é o www.senderscore.org, que pertence à Returnpath.

São serviços que dão uma nota a IPs ou faixas de IPs com base nas reclamações de spam recebidas sobre os envios feitos a partir deles, nas mudanças no volume de envio e nos envios para spamtraps.

Os ISPs como o Hotmail ou o Gmail e os provedores de hospedagem têm seus próprios sistemas de avaliação interna nesse sentido.

Quando o bloqueio acontece por esse motivo, costuma ser feito com um soft bounce, para dar ao remetente a possibilidade de tomar medidas que o corrijam e de poder enviar no futuro.

· Sistema antispam de servidor

Os servidores corporativos e os dos provedores de hospedagem costumam ativar sistemas antispam no servidor, que filtram todas as mensagens antes de entregá-las às diferentes contas dos destinatários.

Eles costumam ser uma camada intermediária entre os bloqueios por SPF ou por inclusão nas principais RBLs e os antispam locais que veremos mais adiante.

Existem sistemas pagos, como o Spamtitan ou o Spamina (que costumam oferecer extras como relatórios e painéis para os usuários), e sistemas gratuitos, como o Spamassassin (veja o quadro com o mesmo nome).

O motivo de verificar antes as RBLs, o SPF e outros sistemas de bloqueio é eliminar o lixo antes de passar as mensagens para o antispam local do servidor.

Só chegam até ele as mensagens que não foram descartadas antes, e isso é importante porque, primeiro, alguns sistemas são pagos e cobram pelo número de mensagens analisadas e, segundo, porque consomem muitos recursos do servidor, já que o antispam local faz uma análise muito mais complexa do que os sistemas de bloqueio vistos até agora.

Mais especificamente, o que eles fazem é gerar um spamscore, analisando, além da reputação do IP e do domínio remetente, a sua presença ou não em diversas listas negras e sistemas de reputação.

Eles analisam o conteúdo do design da mensagem, penalizando-a por diversos motivos, geralmente relacionados a se parecer com designs de spammers, e atribuem uma nota adicional por meio de sistemas inteligentes, ou bayesianos no jargão deles, com base em análises anteriores de mensagens parecidas da sua rede de usuários.

Neste artigo, há mais informações sobre o que é e como funciona o spamscore:

O que é o spamscore?

Spamassassin

Criado em 1997 e pertencente à Apache Software Foundation desde 2004, é o sistema antispam de servidor open source mais utilizado, principalmente em ambientes B2B.

Ele tem mais de 700 regras de bonificação ou penalização de acordo com o design, as RBLs, a configuração do remetente etc.

Elas formam o spamscore da mensagem e permitem a sua entrada ou a bloqueiam, conforme o limite de nota que o usuário ou administrador tenha definido.

É um ótimo método para verificar se a nossa newsletter pode acabar no spam em um envio de email marketing. Na verdade, o sistema de relatório do painel da Mailrelay usa o Spamassassin para ser elaborado.

Wikipedia Spamassassin

Spamassassin

Como saber se meu IP está em uma lista negra

· Antispam inteligentes ou sociais B2C

Os ISPs B2C, como Hotmail, Gmail etc., usam as listas negras e de reputação, a verificação do SPF e medições de spamscore parecidas com as dos antispam de servidor que acabamos de ver.

Mas depois acrescentam uma camada de controle adicional que poderíamos chamar de detecção social de newsletters em massa não solicitadas.

Para os envios que passam pelos demais controles anteriores, trata-se de analisar como os assinantes que os receberam interagem com eles e bloquear o envio ou baixar a sua reputação se, por exemplo, muitos clicarem no botão de “isto é spam”, ou se a grande maioria não o visualizar, não clicar e o apagar imediatamente.

Um exemplo é o filtro SmartScreen da Microsoft:

https://en.wikipedia.org/wiki/Microsoft_SmartScreen

Que, em uma das suas funções, realiza essas tarefas para bloquear envios em tempo real no Outlook e no Hotmail.

E este último ponto é importante: em tempo real.

Ou seja, pode ser que, em um envio em massa que, a princípio, não tem problemas de listas negras, spamscore ou outros bloqueios, as mensagens entrem corretamente no início do envio.

E depois, antes de o envio terminar:

Elas vão para a pasta de spam ou são bloqueadas por causa da interação ou da falta dela dos assinantes que foram recebendo a mensagem ou porque eles foram marcando a mensagem como spam.

· Antispam local de desktop

A última barreira, e da qual não podemos ter nenhum feedback, é o antispam local que o destinatário possa ter instalado no seu computador.

Se ele usar um cliente de email para desktop, como o Outlook ou o Thunderbird, pode usar as regras antispam desses programas ou o complemento para email dos antivírus mais populares.

Estes últimos usam os sistemas que acabamos de ver, então não é provável que haja um bloqueio final da parte deles se todos os controles anteriores tiverem sido superados.

· Resumo, detecção de um bloqueio e conclusão (don´t panic)

Para terminar, vamos fazer uma revisão rápida, como resumo, dos pontos em que pode haver um bloqueio por detecção de spam ou, de forma indireta, por ter enviado spam ou newsletters não solicitadas:

  1. Enfileiramento
  2. Listas Robinson
  3. Bloqueio SPF
  4. RBL ou listas negras
  5. Listas cinzas
  6. Spamtraps
  7. Sistemas de reputação de IPs
  8. Sistema antispam de servidor
  9. Antispam inteligentes ou sociais B2C
  10. Antispam local de desktop

Nós os ordenamos conforme uma newsletter pode ir encontrando e superando cada um, mas isso não deve ser visto como um sistema linear.

Na verdade, muitos desses sistemas se combinam em um único bloco, como os antispam de servidor, que usam vários dos pontos que vimos.

E passar por algum deles também não garante que os outros não possam nos bloquear.

Então, como podemos verificar se estamos sendo bloqueados? Como regra geral, se o relatório antispam do design no painel da Mailrelay não indicar nenhum problema.

E, além disso, se a newsletter chegar corretamente aos ISPs públicos, é quase certo que não temos nenhum bloqueio, já que, juntos, eles usam praticamente todos os pontos de controle que vimos.

Se houver problemas de entrada, para detectar em que ponto eles podem estar, além do relatório de spam do painel, é preciso verificar qual resposta o servidor de destino está dando, já que muitas vezes é nela que aparece o motivo do bloqueio.

Isso pode ser feito no painel, em Enviados – Buscar registros, ou pedindo ao suporte que faça a verificação.

Como vimos, são muitos os sistemas para bloquear spam, mas não é preciso entrar em pânico, mochileiros.

É muito improvável sofrer esses bloqueios se enviarmos corretamente e seguirmos as regras de envio:

  1. As dicas que vão evitar que a sua newsletter seja considerada spam
  2. Cadastros com double opt-in

Noé Soriano

Todos esses filtros estão diretamente relacionados à sua reputação de remetente, um fator fundamental para que os seus emails cheguem à caixa de entrada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *